7/03/2008

Dreams


Alan Moore fala sobre sexo, mentiras e Harry Potter










Alan Moore e sua mulher, a desenhista Melinda Gebbie (Foto: Jose Villarrubia)
Leia a íntegra da entrevista com Alan Moore em que o autor de "Lost girls" fala mais profundamente sobre pornografia. E aponta críticas nos mestres do erotismo europeu Manara e Crepax.

G1 – O que acha da maneira como os japoneses lidam com a sexualidade nos mangás e animês?



Animês e mangás usam artifícios estranhos para insinuar o sexo (Foto: Reprodução)









Moore – Não sou um grande fã do que se conhece como mangá hoje. Mas não gosto da abordagem dos japoneses para o sexo. Eles são muito reprimidos em certas coisas. Creio que ainda seja ilegal mostrar genitália ou pêlos pubianos. Com isso, o que fazem é forçar os artistas japoneses a artifícios grotescos para compensar aquilo que poderiam ser substituído com a expressão sexual. Me lembro de Melinda trazer um quadrinho – admito, muito bem desenhado – de um artista erótico japonês recente. Adorei o desenho, realmente, mas não queria aquele livro na minha casa porque todo o conteúdo sexual e penetrações tinham que ser escondidos. Isso me perturba. Se for para você mostrar órgãos genitais, algo que todo mundo tem, provavelmente não vai chocar tantas pessoas mostrando-os de forma realista do que as que pegarem um mangá em que o protagonista abre o seu zíper e o que sai de suas calças não é um pênis humano comum, mas uma metáfora sexual bizarra como um míssel teleguiado, uma serpente... Para o leitor novato, esse aspecto do mangá pode ser bem desagradável. Tendo a pensar que seria muito mais saudável se eles simplesmente tirassem essas regras ultrapassadas e deixassem as pessoas explorar o conteúdo sexual de modo mais saudável. Um amigo estava na internet e encontrou um site especializado em bonecos de cerâmica de heroínas de mangá, como Sailor Moon por exemplo, evacuando os intestinos. Eu jamais imaginaria que haveria um mercado de nicho para essas coisas! Pode mostrar esses personagens inocentes defecando, mas é proibido mostrar seus órgãos genitais. Há algo muito estranho na maneira como os japoneses lidam com a sexualidade. Pode ser uma afirmação equivocada ou possivelmente racista, mas pelos exemplos que vi me parece que os sentidos dos japoneses estão sendo colocados numa panela de pressão. Uma vez que essa sexualidade explodir, poderá haver elementos de violência nela.


Personagem da série "Click", de Milo Manara (Foto: Reprodução)




G1 - A respeito dos chamados mestres do quadrinho erótico europeu, como os italianos Milo Manara e Guido Crepax, o que pensa deles?


Moore - Conheço o trabalho deles. Milo Manara é um ótimo desenhista, mas não gosto tanto do seu trabalho no erotismo. A mesma coisa com Crepax. Há algo no modo como Manara desenha as mulheres de que eu realmente não gosto. Elas parecem homogêneas demais, sempre com o mesmo tipo de corpo, mas sem personalidade. Toda mulher nos desenhos do Manara parece ter sempre aqueles lábios de boquete. Eu preferiria se tivesse um pouco mais de humanidade, porque senão você reduz a mulher aos sentidos. Quando estávamos fazendo “Lost girls”, passamos tanto tempo conversando sobre o que não queríamos fazer quanto sobre o que queríamos fazer. E consideramos muito a crítica das feministas sobre pornografia. Porque, mesmo que concordemos com muito poucas delas, elas são pelo menos críticas racionais. E se existe algo em que realmente concordamos com as feministas é que a representação da mulher na maioria da pornografia é tremendamente vazia. Pensamos, então, que devíamos isso às mulheres. E à pornografia. Precisamos de personagens autênticos para que você tenha uma relação autêntica com eles. Por isso “Lost girls” é um livro mais direcionado às mulheres, talvez mais até do que aos homens - já que atrair homens para a pornografia não é exatamente inventar a roda. Para atrair o interesse das mulheres é preciso um pouco mais de carinho e de cérebro. Pensamos em gente como Crepax e Manara e muitos dos outros que temos alguma certa admiração, mas acho que estamos lidando com públicos diferentes, com pensamentos diferentes sobre sexualidade. Eu certamente não queria menosprezar o talento de nenhum desses senhores, mas me parece que a visão geral de erotismo apresentada pela maioria dos artistas europeus é geralmente limitada. Gostaríamos de ir além do que esses supostos mestres do gênero iniciaram.

Entrevista com Milo Manara

"Gullivera" foi um pedido de uma revista italiana, pensei em usar a história de Gulliver [personagem do livro de Johnatan Swift], mas mudando o sexo do protagonista, porque ficaria mais interessante." -Milo Manara

Falando da Itália à Folha, Manara explicou como se tornou referência no gênero, contou seus projetos e falou do gosto pelas HQs populares, como os mangás.
Folha - O sr. estudou arquitetura e pintura. Como se tornou um desenhista de quadrinhos?
Milo Manara - Na faculdade, eu trabalhava com um arquiteto espanhol na Itália, e ele me apresentou às HQs franco-belgas, "Barbarella" [do francês Jean-Claude Forest], "Jodelle" [do belga Guy Peellaert], as HQs para adultos. Antes, eu não conhecia bem os quadrinhos, achava que eram coisa para crianças. Mas, quando descobri este material adulto, percebi que era o meu caminho e segui-o.
Folha - O sr. já trabalhou com cineastas como Fellini e Polanski. Qual é sua relação com o cinema?
Manara - Minha ligação é, antes de mais nada, a de um espectador apaixonado. Ilustrei dois roteiros de Fellini, uma história curta de Almodóvar, já fiz pequenos desenhos para Woody Allen, mas para seu trabalho como músico --ilustrei o programa de um concerto de clarinete que ele faria. Com Polanski, começamos a fazer uma animação, rodamos quatro minutos, mas, na época, ele ainda tinha problemas jurídicos com os EUA, o produtor americano saiu do projeto e paramos tudo. Agora que os problemas estão resolvidos, podemos retomar.
Folha - Alguns dos principais artistas dos quadrinhos eróticos são italianos, como Crepax e Serpieri. Há algo em particular na cultura italiana que favoreça isso?
Manara - Na verdade, o começo do erotismo nas HQs aconteceu na França, com a "Barbarella" [de 1962]. Mas Guido Crepax foi o criador da HQ erótica mesmo, porque "Barbarella" era uma história de ficção científica. Ele foi muito importante no começo da minha carreira, comecei a desenhar após conhecer sua Valentina. O que aconteceu na Itália é que, quando há um mestre, geralmente uma escola se desenvolve ao seu redor.
Folha - O sr. está preparando um projeto para a editora Marvel?
Manara - Sim, me propuseram fazer uma história sobre as personagens femininas dos X-Men. Considero os super-heróis norte-americanos os verdadeiros clássicos, acho que todos os desenhistas, se tivessem a oportunidade, deveriam fazê-los. Não é um universo que eu conheça muito bem, mas, como eles são os clássicos das HQs populares, fiquei contente com a proposta de desenhá-los.
Folha - Há diferença entre as HQs comerciais e as autorais?
Manara - Não acho que haja uma separação entre os tipos de quadrinhos, mas, talvez, entre os tipos de leitor --mas não é uma diferença muito grande. As HQs autorais não existiriam sem as comerciais, porque foram elas que desenvolveram toda a organização de gráficas, distribuição etc. Com isso, as histórias mais autorais tiveram chance de aparecer, mas são as comerciais que impulsionam o mercado editorial.
Folha - O sr. gosta dos mangás japoneses?
Manara - Sim. É um fenômeno do qual gosto muito, acho que a verdadeira vocação das HQs é serem populares, como os mangás são. O futuro dos quadrinhos é esse, usar um papel menos caro, menos cores. Hoje, o cinema faz o que quer com os efeitos especiais. Às HQs caberá uma outra dimensão, algo bem mais simples, "pobre", em termos técnicos.
Folha - O sr. já foi convidado a vir ao Brasil, mas nunca veio. Por quê?
Manara - É tudo uma questão de agenda, eu tenho um irmão que viveu 20 anos no Brasil, mas não tive tempo de visitar o país. Detestaria ir a um país e ficar dois ou três dias. Quando eu vou, quero ficar por dois ou três meses, para ter a chance de conhecê-lo um pouco. Por isso ainda não tive tempo de ir. Em dois ou três dias só dá para conhecer Ipanema, não dá para visitar realmente o Brasil, conhecer o sertão, a Amazônia.
Folha - Para se tornar um desenhista profissional como o sr. é necessário talento ou apenas prática?
Manara - Ambos. No meu caso, há um pouco de talento, mas, acima de tudo, muita prática diária. São quase 40 anos desenhando até seis horas por dia --assim, mesmo se você não for tão talentoso, acaba ficando bom no que faz.
Folha - "Gullivera" e o segundo "Bórgia" acabam de ser lançados no Brasil. Como eles surgiram?Manara - Foram trabalhos encomendados, ainda sou obrigado a trabalhar por encomenda. "Gullivera" foi um pedido de uma revista italiana, pensei em usar a história de Gulliver [personagem do livro de Johnatan Swift], mas mudando o sexo do protagonista, porque ficaria mais interessante. "Bórgia" foi um convite de Jodorowski, que me chamou para ilustrar seu roteiro. Como gosto do trabalho dele e do período histórico dos Bórgias, achei interessante.
Obs: entrevista concedida à Folha de São Paulo em 2006, por ocasião do lançamento de três álbuns no Brasil, entre eles "Gullivera".

Cindy Lords


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Revista da web - estética e graficamente correta

7/02/2008

Feira Moderna

Peladonas em celulose











Loja especializada de São Paulo já realizou feirapara fazer a cabeça de fãs da arte seqüencial e do erotismo

A loja especializada em histórias em quadrinhos Comix Book Shop já promoveu em São Paulo a Erotic Art Festival, uma feira de quadrinhos eróticos com vários álbuns de artistas nacionais e internacionais com preços mais baixos. A idéia é divulgar a expressão erótica através dos quadrinhos, além de trazer para o universo da arte seqüencial os fãs do erotismo e vice-versa.

A feira contou com apresentação acústica da banda Velhas Virgens e disponibilizou material sem censura e de vários estilos, como os álbuns de luxo da Taschen, as produções dos italianos Milo Manara e Paolo Eleuteri Serpieri e os hentais - quadrinhos pornográficos feitos no melhor estilo oriental. Os livros da Taschen vêm com capa dura envernizada e têm produção impecável.
A composição e a tradução dos trabalhos transformam os álbuns da editora em obras de luxo.
A grande vedete para essa feira deve ser o livro Eric Kroll's Fetish Girls, com fotos bem produzidas sobre os fetiches sexuais, como calcinhas, meias, luvas, máscaras e sapatos vislumbrados de forma inusitada.
















Os italianos Milo Manara e Paolo Eleuteri Serpieri já são bem conhecidos dos fãs de quadrinhos por seus trabalhos na revista Metal Hurlànt e Heavy Metal. Manara gosta de brincar com o imaginário dos leitores e sua narrativa explora a sensualidade através de garotas insinuantes e situações de sexo em lugares exóticos.

O Clic e O Perfume Invisível são duas de suas mais bem trabalhadas e, por isso, cobiçadas obras. Serpieri prefere misturar ficção científica com sexo explícito. Sua criação máxima é a curvilínea Druuna, que protagoniza aventuras com seres bizarros e em lugares fantásticos. Sua maior virtude está na composição da estrutura corporal: Serpieri (que é fã confesso das mulheres brasileiras e até chegou a visitar o Brasil em uma convenção de quadrinhos) usa e abusa da anatomia avantajada dos personagens para explorar o erotismo em suas histórias.

Já os hentais, quadrinhos japoneses de "sacanagem", usam traços simples para trazer o "proibido". A temática dos orientais costuma girar em torno de garotas colegiais sendo violentadas, seres hermafroditas, professoras que transam com alunos e diversas situações politicamente incorretas.


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