7/10/2008

O inventor dos Quadrinhos Eróticos







Carlos Zéfiro é o pseudônimo do funcionário público brasileiro Alcides Aguiar Caminha (Rio de Janeiro, 25 de setembro de 1921 - Rio de Janeiro, 5 de julho de 1992) com o qual ilustrou e publicou, durante as décadas de 50 a 70, histórias em quadrinhos de cunho erótico que ficaram conhecidas por "catecismos".

Alcides Aguiar Caminha, carioca boêmio, ilustrou e vendeu cerca de 500 trabalhos desenhados em preto e branco com tamanho de 1/4 de folha ofício e de 24 a 32 páginas que eram vendidos dissimuladamente em bancas de jornais, devido ao seu conteúdo porno-erótico, ficando conhecidos como "catecismos" e chegaram a tiragens de 30.000 exemplares. Casado desde os 25 anos, com Dona Serat Caminha teve 5 filhos e sempre escondeu de toda a família sua atividade paralela de desenhista e aposentou-se como funcionário público do setor de Imigração do Ministério do Trabalho. Sua identidade somente se tornou pública em uma reportagem da Revista Playboy que foi publicada em 1991, um ano antes de sua morte.


Autodidata no desenho e concluinte do curso de segundo grau somente quando tinha 58 anos, manteve o anonimato sobre sua verdadeira identidade por temer ter seu nome envolvido em escândalo o que lhe traria problemas por se tratar de funcionário público submetido a Lei 1.711 de 1952 que poderia punir com a demissão o funcionário público por "incontinência pública escandalosa" e retirar os proventos com os quais mantinha a família.


Os "catecismos" eram desenhados diretamente sobre papel vegetal, eliminando assim a necessidade do fotolito, e impresso em diferentes gráficas em diferentes Estados, gerando, inclusive, diversos imitadores. Em 1970, durante a ditadura militar, foi realizada em Brasília uma investigação para descobrir o autor daquelas obras pornográficas que chegou a prender por três dias o editor Hélio Brandão, amigo do artista, mas que terminou inconclusa.


O processo criativo de Zéfiro
O curioso é que Zéfiro não era desenhista, mas sabia manipular os materiais de desenho, e era capaz de fazer uma história de quadrinhos decalcando, em papel vegetal , posições de revistas de fotonovelas e de revistas publicadas pela Editormex (onde baseou o seu estilo) e fotos eróticas fornecidas por Hélio. Por isso, a irregularidade entre os desenhos de uma mesma história é muito grande, pois quando não havia referências para decalcar os desenhos ficavam toscos. Ainda asim, comunicavam muito e eram uma verdadeira febre entre adolescentes e adultos daquela época.
Confira o traço:











































Prazer liberado
Revistinhas eróticas de Carlos Zéfiro são reeditadas no formato original e cultuado
Eliane Lobato(Isto é)


Um poderoso estimulante da libido – em especial, a masculina – está de volta. A partir do sábado 12, os antológicos catecismos de Carlos Zéfiro serão relançados, com periodicidade quinzenal, ao custo de R$ 12. A primeira revistinha será O viúvo alegre. Todas manterão o formato original: de papel ofício, 32 páginas, impressão em preto-e-branco. E terão, claro, muita sacanagem – com a licença dos leitores, não se pode ser fiel a Carlos Zéfiro usando palavras dissimuladas. A iniciativa inaugura a editora A Cena Muda, mesmo nome da banca carioca de revistas antigas, de Adda Di Guimarães. “Decidi reeditar porque fiquei impressionada com a rapidez com que se esgotaram os 500 catecismos que consegui garimpar”, conta Adda. Ela negociou com os filhos do desenhista o direito de republicar os 862 títulos da obra. O problema é que ninguém tem a coleção completa. “Estou correndo atrás de novo, mas já tenho um bom acervo”, diz.
Libido: Paiva lia picantes histórias de Zéfiro na juventude


Alcides Aguiar Caminha (1921-1992) era o nome do carioca que se escondia sob o pseudônimo de Zéfiro para publicar as revistinhas que fizeram a alegria dos adolescentes das décadas de 1950 e 1960. Somente um ano antes de sua morte é que foi revelada sua verdadeira identidade. Numa entrevista, ele disse que se escondia devido à Lei Federal nº 7.967, já extinta, que regia o funcionalismo público. “Eu perderia o emprego se me envolvesse em escândalos. Fazia este trabalho clandestinamente”, disse ele. O pacato funcionário do Departamento Nacional de Imigração, no Ministério do Trabalho, era também o autor das picantes histórias em quadrinhos com close em atos sexuais. “Na obra dele podia tudo: irmão com irmã, padre com beata, homossexuais. Acho que o que mais atrai é a simplicidade e a falta de preconceito. Era transgressorna época e continua sendo”, diz Adda.


Para o chargista Chico Caruso, 55 anos, “os desenhos eram eficientes, pois passavam erotismo com poucos recursos”. Chico lia as edições emprestadas por colegas de rua, em São Paulo. “Fazia a gente até perder a respiração. Era emocionante.” O desenhista Miguel Paiva, 55 anos, chegou a escrever um argumento de filme baseado em Zéfiro, que entregou ao cineasta Sílvio Tendler. “Fui um grande consumidor. Essas revistinhas tinham enorme rotatividade entre os garotos. A gente se masturbava com Zéfiro e fotonovelas italianas”, relembra ele. Mas por que eram chamadas de catecismo? Em entrevista dada no ano de sua morte, Caminha disse: “Nasceu em São Paulo, mas até hoje eu não sei por que os paulistas deram esse nome.”

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